7 vitórias seguidas, agora a luta de desafiante nº1 – Entrevista exclusiva com Caio Borralho no UFC Fight Night
Conversamos com o peso-médio do UFC e embaixador da Stake, Caio Borralho, enquanto ele se prepara para a luta principal contra Nassourdine Imamov no UFC Fight Night: Paris, no sábado, 7 de setembro. Caio falou sobre o cenário do cinturão dos médios, seu foco em Khamzat Chimaev e também sobre a ascensão da icônica equipe Fighting Nerds.
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Essa é uma luta enorme. Como está a empolgação por encabeçar o card novamente?
Caio: Cara, essa é a maior luta da minha carreira. Finalmente, depois de 7 lutas no UFC e 7 vitórias, chegou a hora de disputar a luta de desafiante número 1. Essa é a luta que eu queria há muito tempo, e o Imamov vem evitando ela há bastante tempo. Agora que está marcada, não importa se é na França ou em qualquer outro lugar do mundo, estou muito empolgado para mostrar meu trabalho. Estou muito animado, muito feliz, toda a minha família e meu time vão estar lá, e eu quero mostrar minhas habilidades.
Duas lutas principais seguidas – é aqui que você sente que pertence?
Caio: Com certeza, 100%. Desde a minha primeira luta no UFC, eu sabia que pertencia a esse tipo de destaque. Fui co-main event já na estreia, sempre fui o cara com mais entrevistas do card, e acho que esse é o lugar que eu mereço. Segundo main event, e uma luta gigante.
O UFC confirmou que essa é mesmo uma luta de desafiante número 1?
Caio: Não, eles não garantiram 100% que seria uma luta de desafiante. Eles marcaram Fluffy contra RDR e vamos ver quem será o próximo. Acho que quiseram colocar uma pressão na gente para entregar uma grande luta. Penso assim: se eu fizer uma luta chata e vencer, e o Fluffy fizer uma luta incrível, talvez ele fique com o title shot. Mas não me preocupo, porque a minha luta já é naturalmente empolgante. Dois strikers, com poder de nocaute, se enfrentando — não tem como ser chato. Acho que finalizo ele no terceiro ou quarto round, e se for emocionante, eu serei o próximo.
Já fui back up fighter, bati o peso, depois me ofereceram o Imamov na International Fight Week e aceitei. Também disse sim para o Paolo Costa e para o Robert Whittaker. Acho que tudo isso será levado em consideração.
O que achou de Khamzat vs DDP?
Caio: Acho que ele fez o que o Khamzat sempre faz. Pegou o body lock e dominou, porque o outro não tinha resposta. É o que ele faz sempre nos treinos: 10, 15 rounds de grappling, e sempre vai para o body lock. Senti que o Dricus lutou da forma errada: não se movimentou, não fintou, e isso facilitou ainda mais para o Khamzat. As pessoas não sabem lutar contra ele da maneira correta. Pensam “ah, vou enfrentar um wrestler, então vou contratar vários wrestlers”. Mas a luta agarrada é só 20% do jogo do Khamzat. Ele tem outros recursos, e você precisa estar preparado.
Como você planeja lidar com o wrestling do Khamzat?
Caio: A luta do Gilbert Burns pode servir de modelo para a estratégia certa. Também tem a luta contra o Kamaru Usman, que é importante observar e adaptar para o plano de jogo.
Se ele conseguir o body lock, sei que vai me derrubar, mas é aí que o sistema dele começa. Ele tem etapas bem claras que precisa executar para avançar, ou pelo menos manter o sistema funcionando. O segredo é identificar essas etapas e negar cada uma delas.
E você precisa ter jiu-jitsu para enfrentá-lo, como o Gilbert mostrou.
O Fluffy Hernandez impressionou muito na última luta. Te surpreendeu a forma como ele dominou o Dolidze?
Caio: Me surpreendeu um pouco, sim! Eu já sabia que o jogo favorecia mais o Fluffy, por ser mais completo, mas da forma que ele fez… com todo respeito, fez o Dolidze parecer um garoto. Foi dominante, escolheu o momento de cada ação. No segundo round o Dolidze já estava acabado, e o Fluffy parecia estar brincando com a comida.
Como você vê Hernandez vs RDR?
Caio: Acho que vai ser parecido com o Dolidze. O Dolidze até tem uma trocação melhor que o RDR, mas são parecidos. O RDR cansou depois de um round e meio contra o Whittaker, e se cansar desse jeito contra o Fluffy, vai ser atropelado. Vejo sendo a mesma luta.
Esse é o momento mais empolgante da história do peso-médio?
Caio: Sim, acredito que sim. Temos vários caras no top 10 muito competitivos, e também muitos atletas chegando que são duríssimos. Tenho certeza absoluta de que essa é a melhor fase da categoria dos médios.
Fora do top 10 ainda tem Shara, tem MVP e mais uns 3, 4, 5 caras que é ótimo de assistir. Isso me deixa feliz e orgulhoso de estar no topo dessa divisão.
O Carlos Prates conseguiu outro grande nocaute na última luta. Ele falou que quer lutar no Rio em outubro. Tem alguma novidade nisso?
Caio: Acho que o card do Rio já está fechado, mas temos opções melhores que o Rio, o que é uma ótima posição para estar.
Muito se fala sobre o Carlos continuar fumando. Você tem algum problema com isso, como treinador/parceiro de treino?
Caio: Acho que ele é verdadeiro consigo mesmo. Muitos atletas que fumam se sentem culpados, e essa culpa baixa a energia e atrapalha o desempenho. Claro que não é exemplo para a nova geração, mas ele é fiel a si mesmo. E o cara não cansa! Faz 5, 6, 7 rounds e não se desgasta! Todo mundo consegue ser como o Carlos? Não. Mas ele consegue.
O Brasil já teve um jogador de futebol chamado Romário, que era conhecido por farrear, mas quando entrava em campo, era genial. Acho que o Carlos é o Romário do MMA, e as pessoas se identificam com isso.
O Ruffy enfrenta o BSD no mesmo card que você. Quão perto de uma disputa de cinturão você acha que ele está?
Caio: Se ele vencer e finalizar o BSD do mesmo jeito que fez com o Green, acho que está a uma ou duas lutas do title shot.
Quem você vê como maiores desafios para ele no peso-leve?
Caio: Posso dizer que o Ruffy tem a melhor defesa de quedas que já treinei. Acho que só derrubei ele uma vez na vida, e estou falando sério! Um cara com essa trocação e essa defesa de quedas é quase impossível de vencer.
Acho que Gamrot e Tsarukyan seriam lutas ótimas, que poderiam oferecer dificuldades para ele evoluir ainda mais até se tornar campeão.
Outro companheiro de equipe, Jean Silva, também luta no próximo mês. Como é ter tantos eventos principais e lutas grandes saindo da Fighting Nerds?
Caio: Irmão, é motivo de orgulho. A gente treinou nas sombras por muito tempo.
Agora somos o melhor time do mundo. O primeiro time brasileiro a ganhar esse prêmio, e o primeiro time a conquistar isso sem ter campeões mundiais. Tenho muito orgulho de todos e felicidade de ver cada um trabalhando para sustentar suas famílias.
Nosso esforço está voltando para nós, e é incrível. Temos mais atletas além de nós quatro, e as pessoas vão começar a conhecer mais. Vai crescer ainda mais, e é muito satisfatório ver isso. Era exatamente o que a gente visualizava.
O Charles Oliveira vai encabeçar o UFC Rio. Você acha cedo demais para ele voltar depois da última luta?
Caio: Acho que é um pouco de tudo: coragem, risco e muito dinheiro envolvido! O Charles é experiente e espero que consiga treinar bem até a luta. O que sei é que a galera está adorando, e eu vou estar lá!
O Alex Pereira vai encabeçar o UFC 320. Como você vê essa luta?
Caio: Ouvi que na primeira luta o Alex estava lesionado, e talvez isso tenha mudado o resultado. Da mesma forma, acho que o Ankalaev fez um ótimo trabalho, lutou como deveria, sem se expor. Mas na próxima, acho que podemos ver um Alex mais ativo. Ele sabe que pode defender as quedas, só precisa ser mais agressivo contra o Ankalaev. Vejo como uma luta 50/50, diferente da primeira.

