Entrevista Exclusiva com Alex Pereira – UFC 320
Conversamos com o campeão dos meio-pesados do UFC e Embaixador da Stake, Alex Pereira, que se prepara para a luta principal contra Magomed Ankalaev no UFC 320.
Pereira será o headliner do evento ao lado do também embaixador da Stake, Merab Dvalishvili, ao vivo de Las Vegas no sábado, dia 4 de outubro.
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Você costuma dizer que cada luta sua é uma guerra. Isso faz dessa luta do dia 4 de outubro a maior guerra de todas?
É difícil dizer, mas a realidade é que toda luta é dura, seja uma decisão de cinco rounds ou um nocaute no primeiro. Eu considero o camp e os treinos parte da luta, então é sempre uma guerra, sempre um processo inteiro. É pesado pra mim e com certeza é pesado pra todo mundo que luta.
Que mudanças táticas ou técnicas você fez para aumentar suas chances dessa vez, comparado ao UFC 313?
Não fiz muitas mudanças táticas. Diria que são dois detalhes que estamos trabalhando e corrigindo. Mas a realidade é que sempre tem espaço para melhorar, sempre tem erros que cometemos na luta e tentamos corrigir na próxima. Esse é o processo.
Você diria que esse cinturão é naturalmente seu, e agora você só está colocando ele de volta onde deveria estar?
Com certeza. Até na última luta, muita gente falava “Quem vai conseguir tirar o cinturão dele?” e essas coisas. Então, sim, foi chato perder, mas agora tenho a chance de mostrar meu trabalho de novo, melhorar e fazer diferente.
Vamos falar sobre o UFC 320 de forma geral. Dois dos seus antigos oponentes, Prochazka e Rountree, vão lutar no mesmo card. Como você vê essa luta?
Difícil dizer. Acho que o Jiri tem uma movimentação e um jogo de pernas muito bons. O Khalil é muito bom também, mas acho que pode ser complicado pra ele por causa da movimentação do Jiri. Pode ser uma luta dura.
E com essa luta e o duelo entre Dvalishvili e Sandhagen, o UFC 320 é um evento enorme. Com você no main event, ter um card tão bom aumenta ainda mais a expectativa para o evento?
Eu estou muito focado na minha luta. Sei que o Merab luta nessa noite, mas pra ser sincero não sei nada sobre o resto do card.
Você sente pressão de carregar o MMA brasileiro nas costas? Ou só se foca na sua própria luta?
Não acho que exista essa pressão. Sei que as pessoas falam muita coisa e esperam muito, mas a realidade é que já conquistei muita coisa nas artes marciais e no UFC. Então não sinto essa pressão porque já alcancei o que tinha pra alcançar. Seria diferente se eu estivesse no começo da carreira, prestes a conquistar algo. Mas já cheguei lá, já fiz história, então não é uma pressão pra mim.
O que você acha que as próximas gerações de lutadores brasileiros precisam fazer para manter o legado criado por campeões como você?
Acho que eles precisam continuar fazendo o que já estão fazendo. Tem muita gente nova chegando, fazendo um ótimo trabalho. Derrotas acontecem, mas isso faz parte do jogo. Tem uma nova geração muito talentosa vindo aí, e eles precisam continuar nesse caminho.
O UFC e o MMA em geral se tornaram muito mais populares nos últimos anos. Qual o papel que você acha que lutadores como você têm nesse crescimento?
Difícil dizer. Mas o que eu sinto e ouço das pessoas é que talvez eu tenha reacendido aquela chama no Brasil. Talvez as pessoas estivessem menos motivadas depois que o Anderson parou de lutar. Então acho que dei continuidade a um pouco do legado do Anderson e trouxe de volta esse interesse pelo MMA no Brasil.
Você já pensou em subir para o peso-pesado. Isso ainda é uma possibilidade?
Tudo é possível. Acho que estou muito bem nos meio-pesados, é uma ótima categoria pra mim. Mas não dá pra descartar a possibilidade de subir pros pesados um dia.
Olhando para a sua rivalidade com o Adesanya, como você se sente hoje? Feliz por ter vivido aquilo?
Com certeza. Acho que foi uma das maiores, se não a maior rivalidade da história do UFC. Sempre fomos respeitosos, nunca teve nada agressivo. Acho que é uma rivalidade que vai ficar na história do UFC.
Se pudesse dar um conselho para o Alex Pereira do passado, qual seria?
Olhando pra trás, eu diria pra ele continuar, manter a disciplina e não desistir, porque coisas grandes estavam por vir.
Quando você parar de lutar, se vê continuando no mundo das artes marciais? Talvez como treinador?
Com certeza quero continuar no meio das artes marciais, não sei exatamente de que forma, mas quero ficar por perto. Meus filhos treinam, são dedicados e querem lutar, então isso com certeza vai me manter no jogo.
Qual o seu ritual mais importante de treino antes de uma luta?
Não tenho nenhum ritual especial, é só manter o foco, concentrado durante todo o camp e no dia da luta.
Quão importante foi a mentoria do Glover Teixeira na sua carreira – tanto mentalmente quanto tecnicamente?
Foi importante em tudo, mental, técnico, tudo. Aprendi demais com o Glover. Tudo o que ele passou e o caminho que trilhamos juntos. Ele mesmo diz que eu pego as coisas rápido, então aprendi muito com ele. Ele é uma grande influência.
Você já fez lutas históricas, e a gente falou do Adesanya, mas qual foi o adversário que você mais gostou de enfrentar?
Na verdade, todos os camps são muito duros, lido com lesões e outras dificuldades. Não é um processo divertido. É difícil falar de boas lembranças quando você passa por tanta coisa. É como perguntar “qual guerra você gostou mais de ir?”, é difícil de responder.
Quando você vê os novos talentos na sua academia ou no UFC, quem mais te empolga como parte da próxima geração de lutadores?
Falando do Brasil, os caras da Fighting Nerds estão crescendo muito e tendo ótimos resultados. Já têm quatro lutadores bem ranqueados e outros subindo também. Então, se fosse pra citar um time, diria que eles vão fazer muito barulho ainda.
Qual a maior ideia errada que os fãs têm sobre você, quando só te veem como lutador?
Muita gente me vê e acha que sou fechado, que não sou simpático. Principalmente hoje, na posição em que estou, muitas pessoas querem se aproximar. Eu escolho bem quem é amigo e quem está perto de mim. Quando entrei no UFC, muita gente dizia que eu era “cara fechado”, que estava de mau humor, que era rude. Mas na verdade é só meu jeito e um pouco de timidez também.
Se você não fosse lutador, o que acha que estaria fazendo hoje?
Eu estaria trabalhando em uma borracharia.

